Tudo bem que o supermercado é um dos lugares mais práticos já criados na face da Terra. Já pensou ter que ficar pulando de loja em loja até terminar de comprar tudo o que você quer? Seria um pesadelo! Se bem que ir até o supermercado sozinha já é um pesadelo, também. Pois você tem de procurar entre corredores infinitos o que você quer, colocar tudo no carrinho por si só e depois carregar tudo de volta para casa. Mas, é nessas horas que nós descobrimos quem da família realmente nos ajuda.
Lyra estava estranhamente jogada no sofá, com a cabeça encostada nos joelhos, me deixando na dúvida se ela estava com sono ou com um surto de depressão. Sabem como são essas pessoas neuróticas, nós nunca sabemos quando estão numa crise.
– Lyra? – A chamei, um tanto quanto receosa. – Isso é depressão ou o quê?
– Sono...
– Hm... Olha, eu tenho de ir até o supermercado, não quer vir junto?
– Não dá, eu tenho uma entrevista de emprego daqui a pouco.
Ela apenas se moveu o suficiente para poder coçar a cabeça, ainda olhando para baixo. Aquilo era estranho, minha irmã geralmente fica totalmente histérica e correndo de um lado para outro da casa quando tem uma entrevista de emprego.
– Bem... A única coisa que eu recomendo é que você troque essa roupa.
– Eu sei, eu sei. – Respondeu. – Assim que eu juntar ânimo o suficiente eu faço isso.
Bom, sem a ajuda de Lyra, a minha próxima opção era Martha.
– Marthita, amor de minha vida. – Eu disse, na minha voz mais suave que ela reconhecia e havia nomeado como "minha voz de pidona". – A Lyra não pode ir ao supermercado comigo, e sem compras essa casa fica sem termos o que comer. Então...?
– Querida, eu nem tenho como! Estou preparando o almoço. – Eu nem preciso comentar da minha vontade de dar um tapa na própria testa, preciso? – Yakisoba, diga-se de passagem. E se eu não cozinhar, todos nessa casa passam fome pois nem miojo vocês devem saber fazer direito! – Ei, sem roubar minhas frases, Martha! – Por que não pede ao Damon?
Torci a boca, numa expressão que, graças a Deus, ela não conseguiria ver. Talvez Martha fosse tão pacífica que não conseguia notar que desde sempre o Damon tem uma necessidade enorme de me provocar e irritar, e ele conseguia facilmente, me deixando com vontade de VOAR no pescoço dele e APERTAR até a morte certa.
– Hm... O Damon, né?
– Claro! Ele está no quarto dele. – Lógico que ele estava em seu quarto. Isso é facilmente reconhecível pelo som de rock que ecoa pela casa inteira, já que aquela criatura deve ser surda para ouvir música num volume assim.
– Ééé... Tentarei. – Judas! Nunca me esquecerei desta traição, Martha Steiner!
Subi as escadas resmungando diversos palavrões que nem me darei ao trabalho de repetí-los aqui. Ainda mais que, para variar, meu primo fazia questão de largar suas roupas pela casa. Por sinal, é um jeito bem rápido de saber por onde ele andou ou está. "Onde há um bolo de roupa suja, Damon Harrington estará a poucos metros de distância". Por Matthew Manson.
Me aproximei da porta de seu quarto e respirei bem fundo, pois precisaria gritar para que aquele ser das Trevas me escutasse.
– DAMON! ABAIXE ESSE VOLUME E ABRA A PORTA!
De repente, meu celular começou a tocar.
Só de ver o nome que estava escrito na tela me fez ter vontade de jogar o pobre aparelho na parede, mas ele não tinha culpa. Atendi a ligação e respirei fundo para não começar a gritar com a pessoa do outro lado da linha.
– Diga, priminha! - Apertei o celular em minhas mãos, tentando manter a calma e controle.
– Será que Vossa Senhoria poderia deixar de ser tão folgado e abrir a porta do quarto? - Usei meu melhor tom sarcástico.
– Ah, assim é tão mais prático! Fala logo!
– Damon, abre logo essa porra dessa porta! – E desliguei.
Ele finalmente saiu do quarto, desfilando sem camisa como adora fazer. Eu mesma sou obrigada a admitir que meu primo sem camisa é um colírio para os olhos.
– Pode falar agora ou tem mais alguma exigência?
– Não, não tenho. Mas provavelmente vai precisar colocar uma camisa, porque eu preciso de alguém pra ir comigo ao supermercado.
– Pode falar agora ou tem mais alguma exigência?
– Não, não tenho. Mas provavelmente vai precisar colocar uma camisa, porque eu preciso de alguém pra ir comigo ao supermercado.
– Iiiiih... – Só de ouvir aquele maldito som eu já imaginei todo o resto da frase. – Não vai dá, não. – E passou a mão pelos cabelos, fingindo-se de magoado por não poder me ajudar. – Já combinei de sair com o Matt, Loira. – Por enquanto, decidi ignorar o apelido pelo qual ele adora me chamar.
– Não tá meio cedo pra sair por aí "catando" garotas, não?
– Rach, aprenda uma coisa: Nunca é cedo para sair à caça! – Eu suspirei, girando os olhos.
– Poético, priminho querido. Poético.
No final das contas, tive de ir ao supermercado sozinha, e acabei levando horas e mais horas naquela maldita fila. Muito obrigada, família de traídores. Hmpf.
Nunca achamos alguem pra nos ajudar quando precisamos... NUNCA!! O povinho pra inventar desculpas quando mais precisamos... ashh... Q milagre a Lana ainda não ter visto seu primo sem camisa, aposto q ela vai adorar ashuahsuha
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